PMs acusados de execução morador da cidade de Deus vão para a prisão
Os quatro policiais militares do 16º BPM (Olaria) acusados de sequestrar, torturar e executar o caixa de farmácia Marcílio de Souza Silva, de 24 anos, na noite de quarta-feira, deixaram a Delegacia de Homicídios (DH) à 01h da madrugada deste sábado. Os soldados Francisco Emanuel Borges dos Santos e Eduardo José da Silveira Valentim e os cabos Rogério Conde de Oliveira e André da Silva Sá chegaram à distrital para depor por volta das 19h. Eles estavam acompanhados do comandante do 16º BPM, tenente-coronel Antônio Jorge. Porém, somente um dos policiais prestou depoimento, os demais alegaram que só vão falar em juízo.
Mais cedo, o mesmo ocorreu na Corregedoria da PM, quando somente o cabo Rogério Conde de Oliveira prestou depoimento. Como eles permaneceram por longo tempo na delegacia, às 21h45 a advogada de um dos policiais levou sanduíches e refrigerante para os acusados. Da DH, os PMs seguiram para o Batalhão Especial Prisional (BEP). Os policiais tiveram suas prisões temporárias de cinco dias decretadas pelo plantão judiciário, na sexta-feira.
Os acusados foram reconhecidos através de fotografia por X., de 27 anos. Ele estava ao lado de Marcílio, mas conseguiu escapar enquanto os dois eram levados para dentro da favela de Parada de Lucas. No depoimento prestado na DH, o sobrevivente contou que, dos quatro policiais, apenas um estava com nome na farda. Os outros três não possuíam qualquer identificação aparente.
Tortura
X. disse que conseguiu fugir depois que os policiais ordenaram que ele e o amigo entrassem na comunidade de Parada de Lucas. Antes, eles teriam sido torturados num DPO desativado. Os policiais civis desconfiam que a idéia era fazer com que os rapazes fossem mortos por traficantes da favela.
O rapaz contou ainda que os dois foram levados dentro do carro da PM para a divisa de Vigário Geral e Duque de Caxias. Lá, os soldados chamaram um policial do 15º BPM (Duque de Caxias), que já havia trabalhado no 18º BPM (Jacarepaguá). Por ter sido lotado na área da Cidade de Deus, local de origem dos jovens, o policial foi requisitado para identificar se algum deles era criminoso. Na versão dos PMs, os jovens foram liberados em seguida. O delegado Felipe Ettore disse que são fortes os indícios da participação dos policiais na morte de Marcílio.
Fonte: Blog Caso de Polícia
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